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quarta-feira, 5 de outubro de 2011

A ladra de laços


A ladra de laços
(Parte I)

O que ela estava pensando?
Não tinha o direito de insistir naquela história mal resolvida.
Ele já não a havia feito chorar demais?
Sofrer demais?
Que parasse então de pensar no que aconteceu, por que
O que ela queria na verdade não iria acontecer....
(...)
Sentou e chorou novamente.
Ela estava numa rua meio suja, meio esquisita, mas não tinha forças de levantar e voltar para casa.
Ela pensava que seu coração já estava tão cheio de dor que se torcesse como a um pedaço de pano velho, ele iria se desmanchar todo. Por que dor corroi, desgasta.
Então criou forças, não sabe de onde, e começou a andar.
Estava cansada de fazer mal uso de seus sentimentos, pensamentos e coragem.
Faria diferente, pensou.
Não faria não, pensou novamente.
E não sabia como continuar vivendo naquele lugar, se era o que mais lhe maltratava...Conviver com lembranças vivas a fazia ficar um pouco mais amarga cada dia.
Resolveu então fugir.
Isso, fugiria para o mais longe possível e mudaria por completo.
E assim fez.
Dois meses depois, usava o nome Liz e tinha mudado de visual, que agora chamava a atenção de todos que passava por ela, sem que isso a preocupasse.
O coração continuava aos pedaços, mas os que estavam lá eram frios e sem amor.
Ela agora carregava um pecado: roubar.
Ela roubava laços. Roubava para que as pessoas não pudessem mais se envolver com ninguém e sofressem que nem ela sofreu
E isso não a fazia mal. Via em todos, a pessoa que havia feito isso com sua vida e não se arrependia. Era como se pudesse se vingar dele nas outras pessoas.
Até que conheceu um garoto: Tom
Ela sempre o via caminhando pela manhã no parque.
Ele não parecia igual aos outros.
Não. Ele não era bonzinho, não ajudava velhinhas a atravessar a rua, não era cavalheiro nem carregava as compras para a mãe.
Era diferente. E só sabia disso.
E quis colar cada pedaço do seu coração, mas sabia que não podia. No fundo, acreditava que todos eram do mesmo jeito e não podia se deixar levar novamente por qualquer emoçãozinha intrometida qua fez suas mãos suarem. Se afastou.

4 comentários:

  1. as vezes acreditamos que todos são iguais, mas ainda bem que sempre tem alguém capaz de desconstruir essa certeza

    :)

    beijos

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  2. Percebi a química aí, hein?

    =)

    Quando tem mais?

    Beijo.

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  3. Faria diferente, pensou.
    Não faria não, pensou novamente.

    A minha cara... mas tu,né? Tu e tuas palavras**Amoo

    beijoo'o

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  4. Adorei o conto!

    Sintonia e sincronicidade pura...

    Beijos!!

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